O centro da base eleitoral e da disputa pelo poder passou a ser o interior paulista. Entre as razões estão o peso decisivo do eleitorado fora da capital, a força da produção econômica, a presença de lideranças municipais e as máquinas políticas que sustentam e asseguram campanhas.
A cidade de São Paulo possui cerca de 9,3 milhões de eleitores. Entretanto, o estado conta com centenas de municípios onde prefeitos, vereadores, deputados e lideranças locais exercem influência direta sobre o voto. Com o avanço de partidos conservadores em 2024, houve o fortalecimento de palanques locais e a formação de uma rede de prefeitos que será fundamental nas eleições de 2026. O resultado foi um crescimento consistente no número de prefeituras comandadas por partidos de direita e centro-direita.
Em São Paulo, esse cenário beneficia diretamente o governador Tarcísio de Freitas, que tenta preservar uma ampla base de apoio formada por bolsonaristas, MDB, antigos quadros tucanos e lideranças regionais. A movimentação passa pela aproximação com prefeitos, pela entrega de obras, pelo anúncio de investimentos estaduais e pela presença frequente em cidades médias e grandes do interior.
Ainda assim, o interior paulista está longe de ser um bloco único. Regiões como Campinas, Piracicaba, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Sorocaba, Bauru, Marília, Presidente Prudente e Vale do Paraíba possuem realidades distintas. Algumas têm forte ligação com o agronegócio, outras com a indústria, o setor de serviços, as universidades ou o funcionalismo público. Por isso, a disputa não deve se limitar ao campo ideológico. Também deve envolver temas como segurança, saúde, estradas, geração de empregos, habitação, pedágios, transporte, universidades, hospitais regionais e repasses aos municípios.
Para o governo estadual, o interior funciona como vitrine de gestão. Para a oposição, representa o espaço onde problemas do dia a dia podem desgastar a imagem do governo, como filas na saúde, falta de médicos, obras atrasadas, dificuldades das Santas Casas, segurança pública, abastecimento de água, transporte regional e custo de vida.
Outro fator relevante é que o eleitor do interior costuma dar grande valor à proximidade. A presença dos candidatos nas cidades, entrevistas em rádios locais, reuniões com prefeitos, participação em eventos, anúncios de obras e contato com lideranças comunitárias ainda têm peso importante. Em muitos municípios, a disputa estadual e federal passa diretamente pela política local.
Dessa forma, 2026 deve consolidar o interior paulista como uma das principais arenas eleitorais do estado. A disputa não será apenas entre nomes de projeção nacional, mas também por território, alianças municipais, prefeitos, emendas, entregas, segurança e identidade regional.